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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sociedade Protetora dos Animais



Sociedade Protetora dos Animais

O sr. Francisco Maria Supico, nosso distinto e respeitável colega de A Persuasão e Gazeta da Relação, no seu número de 28 de setembro, do primeiro desses jornais, inseriu a seguinte local:
“Proteção aos animais – A nossa distinta colega, d’A Folha, reproduzindo no seu número de 11 do corrente, um belo artigo do sr. João Anglin, aluno muito considerado do Liceu Central desta cidade, sobre criação de uma sociedade protetora dos animais, a nossa referida colega, repetimos, aproveitou o ensejo para continuar na simpática, porém até agora pouco feliz propaganda da proteção aos animais. Está muito bem entregue a causa. Para advogar as que ferem a sentimentalidade, não há como o coração duma senhora, mormente se ela dispõe dum espírito luminoso e culto, como o da ilustre colega srª D. Alice. E como a primorosa escritora se lamenta agora o ter-se visto desajudada dos colegas neste humanitário trabalho, acudimos a dizer-lhe que não sabemos explicar a causa do nosso silêncio, a nenhum modo propositado, mas conseguindo-se ir guardando para amanhã (o santo amanhã de Portugal) o principiar de qualquer coisa que poder ter demora na conclusão. De um dia para o outro, de semana e mês para semana e mês vai decorrendo o tempo, passam anos até que por nós mesmos é censurado este espasmo de torpor que tanto nos magoa.
E aqui está a nossa desculpa no caso presente. Não lhe atribua outra origem a ilustre colega, e conte com o nosso aplauso à sua cruzada e com o auxílio mais ou menos débil, que lhe possamos dar.”
Agradecendo ao ilustre confrade as amabilidades que nos dirige, pedimos-lhe licença para as contestar, e igualmente a classificação de débil com que adjetivava o seu auxílio, em prol dos nossos irmãos inferiores.
Na imprensa não há, felizmente, vox clamantis in deserto, quando a causa é justa e a forma é correta, além de que, a voz do ilustrado colega, sr. Franscisco Maria Supico, decano da nossa imprensa, ecoou sempre no meio micaelense com sonoridade e clareza, sendo consequentemente importante o seu auxílio, que registamos e com o qual ficamos a contar.
Realizar-se-ão brevemente, na redação deste jornal, algumas sessões noturnas em que serão elaborados e discutidos os estatutos, a fim de serem submetidos à autorização superior.
Para presidente da Sociedade será convidado o sr. António José de Vasconcelos, grande proprietário, agricultor, lavrador e benemérito micaelense, sendo os restantes membros da Direcção eleitos pela assembleia geral, composta de todos os cidadãos, sem distinção de sexo, idade ou classe, que queiram pertencer à sociedade.
De todos os trabalhos realizados iremos dando conta nos seguintes números deste jornal.
(A Folha, nº 415, 2 de Outubro de 1910)

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