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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sociedade Micaelense Protetora dos Animais



Sociedade Protetora dos Animais
Reassumiu a presidência da direção desta benemérita associação o sr. Capitão Tibúrcio Carreiro da Câmara, tendo sido encarregada de secretariar a mesma a pedido deste e do sr. Governador Civil do distrito, digno presidente da Assembleia Geral, a nossa presada colega da “Revista Pedagógica”, srª. D. Maria Evangelina de Sousa.
É de crer que, devido à boa vontade destes três importantes fatores na constituição da sociedade, comece a mesma a prestar importantes serviços, que bem necessários se tornam, para seu levantamento.
De facto, é absolutamente condenável a crueldade com que nesta ilha são tratados os pobres animais, sendo letra morta as posturas municipais redigidas no intuito de os proteger.
Com efeito e contra a expressa determinação do que estas posturas impõem ou deveriam impor, vemos todos os dias carroças e até carros de aluguer puxados por animais chagados, ou exaustos de trabalhar.
Se um dos desventurados escorrega e cai, o condutor do carro “auxilia-o” a levantar-se atirando-lhe grossa pancadaria à cabeça e dirigindo-lhe insultos que se não ultrajam a dignidade do infeliz quadrúpede, ofendem todavia a moral pública e suscetibilizam os ouvidos de quem passa.
A polícia, em semelhantes ocasiões, brilha pela sua ausência, ou então, finge que não vê, e cada um prossegue o seu caminho, no louvável intuito de se não ralar para não alterar a fatura do “chylo”.
Este statum quo, todavia absolutamente impróprio de uma cidade civilizada, tem de fatalmente modificar-se. É necessário que os protejamos, nós para quem o bem não é simplesmente um substantivo comum, masculino, singular, sem nenhuma outra significação além das suas circunstâncias gramaticais.
Para o conseguir, é preciso em primeiro lugar que se cumpram as posturas municipais até hoje descuradas, e que aos guardas da polícia cívica seja recomendada a máxima vigilância no sentido de serem reprimidas as cenas de crueldade que todos os dias vimos presenciando.
Seria também justo que fossem multados os donos das cocheiras que empregam em seu serviço animais doentes.
De todos estes assuntos e de muitos outros se pretende tratar na próxima reunião da sociedade, a qual será oportunamente anunciada.
Eis o que nos cumpre informar a uma colega local e a algumas pessoas, amigos dos animais, que nos perguntaram o que sobre o assunto se oferecia de novo.
(A Folha, nº 518, 27 de Outubro de 1912)

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