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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Proteção aos animais



Sob este título, insere, no seu último número, datado de 5 do corrente, “O Autonómico” de Vila Franca:
“Pelo que acabamos de ler, parece que em Angra se vai tomando a peito a proteção aos animais, devido ao zelo e esforços de uma sociedade que para tanto ali se organizou.
Muito justo e louvável.
Bom era que também entre nós se cultivasse a sério tal assunto e desse inteiro cumprimento ao nosso código de posturas municipal, que naquele particular diz:
“Artigo 46º” – A ninguém é permitido:
1º- Carregar os animais, ou veículos tirados por aqueles, de modo que se exija dos mesmos animais esforços extraordinários;
2º- Empregar em serviços animais extenuados, chagados, famintos ou notavelmente doentes;
3º- Espancar ou tratar com crueldade publicamente os animais próprios ou alheios:
Parágrafo único- A transgressão dos números 1 e 2, deste artigo será punida com a multa de seiscentos reis, e a do número 3 com a multa de mil e duzentos reis.”
Já de há tempos que “O Autonómico” vem escrevendo sobre a forma descaroável porque se tratam os animais, não só em Vila Franca, como, infelizmente, em toda a ilha de São Miguel.
Por esse facto, não regatearemos encómios àquele colega.
E, a propósito, informá-lo-emos que existe, na pátria de Bento de Góis, um vendilhão de peixe, surdo-mudo de nascença, que espanca o pobre burro que lhe serve de ganha pão com uma ferocidade inaudita e revoltante.
Esse facto foi presenciado não há muitas semanas, na Praia, por várias pessoas, entre as quais citaremos os srs. João Nicolau Ferreira, Henrique Machado de Ávila e a redatora deste jornal.
Encontrava-se também presente um súbdito alemão que, no auge da maior indignação, quis intervir, em defesa do pobre burro, contra o ferocíssimo aborto que, armado de um grosso cacete, atirava à cabeça da infeliz cavalgadura enormes bordoadas.
E, na verdade, aquele infamíssimo procedimento estava mesmo a pedir a pena de talião.
Quem com ferro mata…
Concordando plenamente, pois, com as reclamações sensatas e humanitárias do “Autonómico”, chamamos a atenção das autoridades competentes e as daquele jornal para o bárbaro procedimento do vendilhão de peixe surdo-mudo de Vila Franca do Campo.
(A Folha, nº 516, 13 de Outubro de 1912)

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