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sábado, 30 de junho de 2012

Em defesa dos carneiros

O cuidado em matar a sede às cabras em contraste com outros comportamentos desrespeitadores do bem -estar animal. (São Miguel, Junho de 2012)
Barbaridade
Não tem outro nome o facto de se obrigar um pobre carneiro a transportar em longas distâncias e às vezes por caminhos em declive e mal calçados, pesados fardos e indivíduos de proporções avantajadas, com o quadruplo do peso do infeliz quadrupede!
Não há muitos dias, no caminho de S. Gonçalo, encontrámos uma carroça de carneiro, sobre a qual dois indivíduos, que, de “humanos só tinham a forma e o gesto”, estavam comodamente sentados, ao passo que o pobre ruminante se esfalfava para deslocar o enorme peso que os dois, adicionados à carroça, representavam.
Para idênticos factos pedimos a intervenção da polícia.
O carneiro fornece-nos a lã que nos agasalha o corpo. A sua fémea dá-nos o leite e a lã. Em épocas eleitorais de antigas eras, tinham também papel político. Em épocas todo o tempo é comido: guisado, com batatas; cosido, com molho de alcaparras; e, assado, au cresson…Querer, ainda por cima, que seja animal de tiro, é exigir muita coisa de um só animal.
Contra estes factos, protestamos, em nome da humanidade, e reclamamos a acção policial. Sejam multados os indivíduos que abusam tão brutalmente da sua força, em prejuízo de um pobre ser indefeso. E ficaremos um pouco mais levantados perante os estrangeiros, visto que a civilização de um povo se aquilata principalmente pela forma pela qual se trata os seres inferiores.
(A Folha, nº 535, 23 de Fevereiro de 1913)

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