sábado, 5 de julho de 2014
terça-feira, 1 de julho de 2014
Roteiro de Alice Moderno na Cidade de
Ponta Delgada (1)
No passado dia 9 de
Junho, Alice Moderno foi distinguida, pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores,
a título póstumo, com a insígnia Autonómica de Mérito Cívico, numa cerimónia
realizada na Vila de Nordeste.
No dia anterior, 8 de
Junho, dois membros do Coletivo Alice Moderno, sediado na Ribeira Grande,
acompanharam o primo de Alice Moderno, que esteve presente na cerimónia
mencionada, numa pequena visita por diversos locais de Ponta Delgada de algum
modo ligados à vida e obra da escritora, professora, benemérita e mulher de
negócios e de causas, Alice Moderno.
Neste número do
jornal Correio dos Açores dou a conhecer alguns dos locais de Ponta Delgada
associados a Alice Moderno.
1- Rua Manuel da Ponte
No
edifício cujas portas possuem os números 34 e 36 situado na rua Manuel da
Ponte, antiga rua da Fonte Velha, viveu e faleceu, em 1946, Alice Moderno.
Neste
mesmo edifício funcionou a redação e a administração do jornal “A Folha”, bem
como a tipografia “Alice Moderno”.
Foi
nesta tipografia que foram impressas algumas obras de Alice Moderno, como a
peça de teatro, em prosa, “Na véspera da Incursão”, dedicada ao Doutor António
Joaquim de Sousa Júnior, o primeiro ministro da Instrução Pública após a
implantação da República, em 1910, e a peça de teatro, em verso, “A Voz do
Dever”, dedicada ao Dr. Afonso Costa, um dos políticos mais influentes da
Primeira República.
2- Rua do Castilho
No
número 1 da rua do Castilho, funcionou, antes de se mudar para a rua da Fonte
Velha, a redação e a administração do jornal “A Folha” e a tipografia “Alice
Moderno”. Foi aqui que foram impressos o monólogo “Mater Dolorosa”, dedicado “à
grande atriz Lucinda do Carmo”, e “A Apotheose”, peça de teatro escrita, por
Alice Moderno, para homenagear João de Melo Abreu.
Nesta tipografia da Rua do Castilho foram
compostos e impressos os primeiros números do jornal anarquista micaelense
“Vida Nova”, de periodicidade quinzenal, que se apresentava como “Órgão
do Operariado Micaelense” e que viu a luz do dia entre 1 de Maio de 1908 e 30 de Setembro de 1912. O
“Vida Nova” teve como proprietário e diretor Francisco Soares
Silva que foi um dos fundadores da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais.
3 – Largo de Camões
Em
dependências do Convento da Graça, concluído em 1680, o Governador Civil de Ponta Delgada, Dr. Félix Borges de
Medeiros, por edital de 21 de fevereiro de 1852, mandou instalar o Liceu de Ponta Delgada (o Liceu da
Graça).
Frequentado apenas por rapazes, só em 1887, surgiu a primeira
estudante, Alice Moderno, que “escândalo dos escândalos” usava cabelo cortado.
4- Rua da Mãe de Deus
Alice
Moderno viveu numa época em que havia fome e miséria nos Açores (hoje apenas se
modernizaram) e achava que a solução deveria partir dos órgãos do governo, mas
nunca excluiu a prática da caridade.
Ao
longo da sua vida, através do seu jornal procurava sensibilizar a comunidade e
colaborava quer monetariamente quer compondo poesias expressamente para serem
recitadas em festas de beneficência.
Na
esquina da rua da Mãe de Deus com a Rua Padre César Augusto Ferreira Cabido
existiu o “Asilo da Infância Desvalida”, fundado em 15 de dezembro de 1855, que
já foi “Internato Feminino da Mãe de Deus” e hoje designa-se “Mãe de Deus, Associação de
Solidariedade Social”
Alice
Moderno, no seu testamento, deixou ao “Asilo da Infância Desvalida” uma cruz de
brilhantes com o objetivo de que com o valor da sua venda fosse instituído um
“prémio anual, a atribuir à aluna que mais se distinguisse pelas suas
qualidades de inteligência e trabalho”.
(Continua)
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30375, 2 de Julho de 2014,
p.14)
domingo, 22 de junho de 2014
PELA IMPLEMENTAÇÃO DA RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES Nº 31/2013
PELA IMPLEMENTAÇÃO DA RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA REGIÃO
AUTÓNOMA DOS AÇORES Nº 31/2013
PROTECÇÃO
DOS ANIMAIS DE COMPANHIA E REDUÇÃO DO NÚMERO DE ANIMAIS ERRANTES
Na
sequência de uma petição intitulada “Por uma nova política para com os animais
de companhia” que deu entrada a 24 de Dezembro de 2012 na ALRAA e que reuniu
1258 assinaturas, a ALRAA aprovou a 10 de Dezembro de 2013 uma resolução onde
recomendava ao Governo Regional dos Açores o seguinte:
1.
A promoção de campanhas de sensibilização, nomeadamente, através das Ecotecas,
que apontem para as virtudes de uma política de não abate dos animais errantes
e que esclareçam, nomeadamente, os benefícios da adoção de meios eficazes de
controlo da reprodução;
2.
A dinamização dos processos de licenciamento de centros de recolha oficiais,
assegurando que os mesmos detenham condições de alojamento adequadas;
3.
Promova a realização de campanhas de sensibilização públicas e junto dos
detentores de animais contra o abandono, assim como da adoção responsável;
4.
Promova a celebração de protocolos com associações de proteção dos animais no
sentido específico da promoção de tratamentos médico-veterinários e práticas de
esterilização;
5.
Promova a sensibilização necessária para a correção das falhas existentes ao
nível dos sistemas de registo dos animais (SICAF), e promova igualmente a
devida sensibilização para a necessidade de articulação entre as várias bases
de dados de identificação de cães e gatos, junto das entidades competentes,
através de pedido escrito;
6.
Promova uma parceria com uma Associação de Proteção de Animais no sentido da
exploração do Hospital Alice Moderno através de protocolo que assegure
tratamentos médico-veterinários a preços simbólicos para detentores de animais
que apresentem carências económicas comprovadas e desenvolver esforços no
sentido da melhoria das instalações deste Hospital, de modo a honrar a memória
da sua mentora, pioneira na defesa dos animais nos Açores.
Considerando
que esta resolução é um bom princípio para a implementação, nos Açores, de uma
nova política para com os animais de companhia, solicitamos que o Governo
Regional dos Açores, através da Secretaria Regional dos Recursos Naturais,
implemente todas as medidas previstas na resolução.
Açores, 12 de Junho de 2014
(Seguem-se 620 assinaturas)
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Honrar a memória de Alice Moderno
PELA IMPLEMENTAÇÃO DA RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA
LEGISLATIVA DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES Nº 31/2013
PROTECÇÃO DOS ANIMAIS DE COMPANHIA E REDUÇÃO DO NÚMERO DE ANIMAIS ERRANTES
Sua
Excelência Secretário Regional dos Recursos Naturais
C/Conhecimento
Suas Excelências
Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA
Sua
Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores
Ex.mo Senhor
Na sequência
de uma petição intitulada “Por uma nova política para com os animais de
companhia” que deu entrada a 24 de Dezembro de 2012 na ALRAA e que reuniu 1258
assinaturas, a ALRAA aprovou a 10 de Dezembro de 2013 uma resolução onde
recomendava ao Governo Regional dos Açores o seguinte:
1. A promoção de campanhas de
sensibilização, nomeadamente, através das Ecotecas, que apontem para as
virtudes de uma política de não abate dos animais errantes e que esclareçam,
nomeadamente, os benefícios da adoção de meios eficazes de controlo da
reprodução;
2.
A dinamização dos processos de licenciamento de centros de recolha oficiais,
assegurando que os mesmos detenham condições de alojamento adequadas;
3. Promova a realização de campanhas
de sensibilização públicas e junto dos detentores de animais contra o abandono,
assim como da adoção responsável;
4. Promova a celebração de
protocolos com associações de proteção dos animais no
sentido específico da promoção de tratamentos médico-veterinários e
práticas de esterilização;
5.
Promova a sensibilização necessária para a correção das falhas existentes ao
nível dos sistemas de registo dos animais (SICAF), e promova igualmente a
devida sensibilização para a necessidade de articulação entre as várias bases
de dados de identificação de cães e gatos, junto das entidades competentes,
através de pedido escrito;
6.
Promova uma parceria com uma Associação de Proteção de Animais no sentido da
exploração do Hospital Alice Moderno através de protocolo que assegure
tratamentos médico-veterinários a preços simbólicos para detentores de animais
que apresentem carências económicas comprovadas e desenvolver esforços no
sentido da melhoria das instalações deste Hospital, de modo a honrar a memória
da sua mentora, pioneira na defesa dos animais nos Açores.
Considerando
que esta resolução é um bom princípio para a implementação, nos Açores, de uma
nova política para com os animais de companhia, solicitamos que o Governo
Regional dos Açores, através da Secretaria Regional dos Recursos Naturais,
implemente todas as medidas previstas na resolução.
Açores, 31
de Março de 2014
Assine aqui: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT73117
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A propósito do aniversário da morte de Alice Moderno
A propósito do aniversário da morte de Alice Moderno
No próximo dia 20, do corrente mês de fevereiro, fará 68 anos que faleceu Alice Moderno, personagem ímpar que marcou a sua época e que continua a inspirar todos os que lutam por uma sociedade melhor, nomeadamente para quem se bate para que o bem-estar animal e os direitos dos animais sejam reconhecidos na prática e não passem de meras palavras para embelezar discursos de circunstância.
Um trabalho importante, talvez o de maior envergadura até ao momento, para a perpetuação da memória de Alice Moderno foi feito pela professora Doutora Maria da Conceição Vilhena que, para além de vários textos, foi autora dos livros “Alice Moderno: a mulher e a obra”, editado pela Direção Regional dos Assuntos Culturais e “Uma Mulher Pioneira” editado pelas Edições Salamandra.
Nos nossos tempos livres, temos procurado pesquisar e compilar, nos jornais de Ponta Delgada onde ela colaborou ou chegou a dirigir, como o “Correio dos Açores”, onde manteve durante muitos anos a seção “Notas Zoófilas” “A Folha”, “O Recreio das Salas”, o “Diário dos Açores” e o Académico”, os seus escritos relativos à questão animal, com vista a conhecer melhor a sua vultuosa obra, a aprender com os erros do passado e a divulgar, sobretudo junto das pessoas que hoje, nos Açores, estão a prosseguir a luta por ela abraçada durante uma parte significativa da sua vida.
Conhecendo relativamente bem a sua personalidade, tal como já esperávamos, temos encontrado textos de Alice Moderno que com ligeiras adaptações mantêm-se perfeitamente atuais. De entre os exemplos possíveis, destacamos “Animais nossos amigos…”, texto de um discurso proferido por Alice Moderno numa reunião da SMPA - Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, que foi publicado, no Correio dos Açores, a 30 de Janeiro de 1934.
No referido texto, Alice Moderno depois de mencionar que “em todos os países cultos, a proteção e assistência aos animais constitui um dever cívico, a que ninguém se exime, e pelo cumprimento do qual as leis olham cuidadosamente, rigorosamente, mesmo”, lamenta que, “em São Miguel, com sincera mágoa” pouco havia sido feito.
Sabendo-se que a SMPA foi fundada em 1911 e que uma vintena de anos depois a situação, segundo ela, estava muito longe de ser a ideal interessa-nos saber a razão?
As autoridades não colaboravam com a SMPA, as propostas da SMPA eram muito avançadas para a época, em que as dificuldades económicas de uma parte significativa da população eram enormes, ou os próprios dirigentes da sociedade pela sua apatia não foram capazes de implementar as suas ideias/propostas?
Hoje, em que uma parte crescente dos cidadãos se empenha em movimentos de solidariedade, não só para com humanos que vivem em regiões com poucos recursos naturais ou são governados por dirigentes corruptos, mas também para com quem na nossa terra foi espoliado do seu direito a ter um trabalho digno e uma remuneração justa, e onde a causa animal ganha, dia a dia, cada vez mais seguidores, é indispensável conhecer a vida e a obra de uma mulher que despendeu muitas das suas energias em várias causas humanitárias, como é a proteção dos animais, que segundo ela “sofrem muitas vezes estoicamente, sem um queixume, os maus tratos que a crueldade humana lhes inflige”.
Desafiamos as entidades oficiais a organizar um ou mais eventos que contribuam para dar a conhecer a obra de Alice Moderno, na literatura, no ensino, na luta pelos direitos das mulheres, na defesa dos animais e das plantas, às gerações que hoje a ignoram por completo.
Se nenhuma entidade oficial se mostrar disponível para tal, as associações de proteção dos animais deviam juntar esforços para o fazer, pelo menos no que diz respeito à causa que abraçaram.
Outro grande passo para perpetuar a sua memória será a luta pela concretização do grande sonho da SMPA e de Alice Moderno que era “estabelecer um Lazareto para tratamento dos animais achados quando abandonados pelo dono” e que hoje deve ser o de “criar” um moderno Hospital Veterinário “Alice Moderno”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 3023, 19 de Fevereiro de 2014, p.11)
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
A VONTADE DE ALICE MODERNO VAI SER RESPEITADA?
A
VONTADE DE ALICE MODERNO VAI SER RESPEITADA?
1-
O
bem-estar animal e o controlo das populações de animais errantes
Foi com muita
satisfação que recebi a notícia da aprovação, por maioria, pela Assembleia
Legislativa Regional dos Açores, no passado dia 10 de Dezembro, de uma
resolução que visa a promoção do bem-estar animal e o controlo das populações
de animais errantes.
Se estão de
parabéns todos os deputados que aprovaram a resolução, bem como todas as
entidades que emitiram os seus pareceres favoráveis, como o Clube dos Amigos e
Defensores do Património Cultural e Natural de Santa Maria e a APA- Associação
Açoriana de Proteção dos Animais, lamenta-se o silêncio, embora possa haver
justificações fortes para tal, de outras associações de proteção dos animais.
Embora
respeitável, já que todos têm direito à sua opinião, considero lastimável o
parecer da Delegação dos Açores da Ordem dos Médicos Veterinários, pois emite
opiniões sobre um texto treslido.
Não deixando de
ser extremamente positiva a aprovação da resolução, tenho sérias dúvidas acerca
da sua implementação já que há sempre alguém apostado em puxar para trás, em
tentar impedir a evolução das sociedades.
Não vou aqui
rebater os vários argumentos contra a resolução, apenas mencionei o dos custos
da implementação de uma política de não abate que é recomendada por várias
organizações internacionais.
Por acaso, já
alguém apresentou algum estudo com os custos do abate sistemático e da
incineração dos milhares de animais mortos nos canis, licenciados ou não, nas
diferentes ilhas dos Açores e que nunca pararão já que sem esterilizações os
animais continuarão a procriar-se?
Temos dúvidas se
o farão, pois o que é chique é fomentar o consumo, o usar e deitar fora e, no
caso em apreço, é comprar e oferecer animais pelas festas ou aniversários para
os abandonar à primeira oportunidade.
2-
Por
que razão aderi à causa animal?
Há
algum tempo, estou em crer que em jeito de brincadeira, alguém escreveu numa
conhecida rede social que não podia contar comigo pois eu era amigo dos animais
e não dos humanos.
Como
não tenho que dar provas de nada e como cada um tem a liberdade de escrever o
que lhe vai na alma, apenas aproveito para enumerar algumas razões que me motivam
a lutar pelos direitos dos animais e que são, em síntese, as seguintes:
1- Porque
ninguém sensível poderá ficar indiferente, no caso dos animais de companhia, à
barbaridade que consiste no abate, anualmente, de 100 mil animais em Portugal nos
canis municipais, resultado de compras irrefletidas, de adoções irresponsáveis,
de falta de compaixão e de políticas erradas;
2- Porque
não é incompatível o envolvimento na causa animal com a adesão a todas as
outras. Quem contribui com o seu trabalho voluntário ou monetariamente para a proteção
dos animais não está impedido de o fazer para outras causas, como o combate à
fome no mundo ou na nossa terra, o apoio aos idosos ou aos sem-abrigo, etc..
3- Porque,
como muito bem escreveu Alice Moderno, “Caridade não é apenas a que se exerce
de homem para homem: é a que abrange todos os seres da Criação, visto que a sua
qualidade de inferiores não lhes tira o direito aos mesmos sentimentos de
piedade e de justiça que prodigalizamos aos nossos semelhantes”.
4- Finalmente,
porque, como muito bem escreveu Álvaro Múnera, antigo toureiro colombiano que,
arrependido, passou a dedicar-se à defesa animal: “os animais vivem um absoluto
inferno por culpa do beneficiário de noventa e nove por cento das causas
existentes, o ser humano”.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, nº 2992, 9 de Janeiro de 2014, p.13)
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